O álbum “50 Anos da Independência de Cabo Verde”, lançado pela promotora HelloCaboVerde, reúne músicas inéditas gravadas há mais de duas décadas por alguns dos maiores ícones da música cabo-verdiana. Com cinco faixas, o disco integra as celebrações do jubileu de ouro da independência e apresenta obras que combinam história, memória e talento, incluindo participações de artistas já falecidos.
A faixa de destaque, “Celebra 50 Anos de Independência”, composta e arranjada por Kim Alves, conta com a colaboração de intérpretes de renome como Zé Galvão, Vargas Monteiro, Grace Évora, Djédjé, Ana Paola, Albertino Évora, Arlindo Rodrigues, Meno Pecha, Mindela, Totchi, Paulinha, Dezenh e Tó Alves. A canção celebra musicalmente a efeméride, com todos os instrumentos executados e arranjados pelo próprio Kim Alves.
O tema “Nha Fidju”, interpretado por Ildo Lobo, foi gravado em 1999, cinco anos antes da morte do cantor, com arranjos de Norberto Tavares, falecido em Dezembro de 2010. A letra, da autoria do promotor do CD, Tony Neves, aborda a realidade de muitos pais cabo-verdianos que, por diversas razões, não conseguem atribuir a paternidade aos filhos. “N’sabi ma bo é di meu, ma bo ka podi leva nhá nomi” (Meu filho, sei que és meu, mas não podes levar o meu apelido), lê-se na canção. “São situações do quotidiano cabo-verdiano, mas que nada têm a ver comigo em particular ou com o intérprete”, ressalta Tony Neves.
“Nôs Cabo Verde di Sperança”, gravada em 2007 pelo grupo juvenil New Energy, presta homenagem a Norberto Tavares, que compôs a canção nos anos 1970, quando Cabo Verde dava ainda os primeiros passos enquanto nação independente. A letra é considerada por muitos como um verdadeiro hino de esperança.
O repertório histórico completa-se com outras duas músicas inéditas: “Pátria Amada”, interpretada por Djosinha e composta por Ano Nobo, gravada em 1999; e “Lágrima Sentide”, de Luís Lima, interpretada por Belinda Lima e gravada no ano 2000, com arranjos de Ramiro Mendes.
O lançamento oficial será no dia 8 de Março, no hotel Vulcão, localizado na Cidade Velha, ilha de Santiago, em Cabo Verde. A distribuição dos discos será feita por ONGs selecionadas, e a receita será destinada a pessoas em situação de vulnerabilidade, sobretudo crianças.
A capa, concebida pelo artista plástico e cenógrafo João “Boss” Brito, simboliza os 50 anos de conquistas de Cabo Verde, incluindo a icónica Cesária Évora, o colectivo masculino dos Tubarões Azuis, que representará o país pela primeira vez numa Copa do Mundo de futebol, e ainda a selecção feminina de futebol que estará pela primeira vez no Campeonato Africano das Nações (CAN).
O produtor Tony Neves explica que a demora no lançamento se deveu ao falecimento de Ildo Lobo e a outros desafios pessoais. Um convite para organizar a ida a Cabo Verde de uma representação do Museu da Baleia, de New Bedford, no âmbito do 50.º aniversário da independência, reacendeu o desejo de divulgar estas músicas inéditas, associando o projecto a uma dimensão solidária. “A ideia inicial era visitar a Praia, São Vicente, São Nicolau e Santo Antão. Mas a tempestade que afectou estas três últimas ilhas obrigou ao adiamento da deslocação. Posteriormente, decidi lançar o CD com o objectivo de ajudar pessoas carenciadas”, afirma Tony Neves.
Com este projecto, “50 Anos da Independência de Cabo Verde” preserva memórias musicais valiosas, liga gerações e contribui para causas sociais, transformando arte e história em acção solidária.