Belinda Lima é popularmente conhecida pela interpretação da canção Graça Santa Maria, obra que conquistou ampla aceitação tanto junto do público residente nas ilhas como na diáspora. Mas o percurso musical dela vai muito mais além.
Filha de pais cabo-verdianos, embora nascida nos Estados Unidos da América, cresceu no estado de Rhode Island, onde iniciou o seu contacto mais direto com a música e a cultura cabo-verdianas. Integrou o agrupamento Jamm Band, colaborou com o conjunto Tropical Power, ao lado do renomado músico Norberto Tavares, e participou como corista em álbuns de diversos artistas. Ao longo do seu percurso artístico, Belinda Lima desenvolveu um repertório marcado pela fusão de sonoridades tradicionais com influências contemporâneas da morna, coladeira e kizomba. A sua interpretação distingue-se por uma abordagem sensível e melódica, frequentemente centrada em temas como a identidade cultural, a afetividade, a nostalgia insular ou “Sodade” e a ligação espiritual às ilhas de Cabo Verde.
A cantora alcançou maior projeção com o álbum Um Momento, lançado em 2000, que inclui a canção Graça Santa Maria. Nesta composição, Belinda Lima presta homenagem à cidade de Santa Maria, na ilha do Sal, evocando a beleza natural, o ambiente marítimo e a morabeza cabo-verdiana — elementos que refletem a vivência cultural e emocional do arquipélago. A obra permanece uma referência musical associada à memória afetiva de muitos cabo-verdianos, particularmente no seio da diáspora.
Entre os trabalhos discográficos divulgados, destacam-se os álbuns Realidade d’Amor (1998) e Um Momento (2000), ambos produzidos pela empresa NT&T dirigida pelo empresário Tony Neves, com sede em New Bedford. Posteriormente, em 2014, participou no CD Saxophonias’s, do saxofonista Adriano Santos, ampliando a sua colaboração com outros músicos da comunidade cabo-verdiana.
Atualmente, Belinda Lima reside no estado de Rhode Island, mantendo a sua ligação artística e cultural à música cabo-verdiana.